Hoje estou desejando uma pessoa. Não é recíproco. Tudo voltou ao normal.
Leve desabafo!
É durante a noite que eu me calo e ouço as vozes que me assombram pelo vento. É nessa hora em que os pensamentos fios se levam e voam por aí, a procura de quem os aceitem. Esse vazio que poderia ser aceito por um simples sim, o que tem em querer agradar você? É bom, não, não é só bom, é ótimo e acho que vale a pena abrir essa exceção. Seu talento é indispensável nesse lugar, nessa cena, eu quero deixar você entrar, eu quero deixar você acreditando nas coisas. Quero que você tenha os dias mais felizes da sua vida, só na esperança de contracenar de novo e de novo até que o mês se acabe e você termine o ano mais feliz que o normal. Quero poder dizer sim, mas ainda não posso! Então eu espero, espero que você balance a cabeça, e chame meu nome. Eu espero e acredito!
Teatro
Como ultimamente não está saindo nada postável de minhas escrituras (afff..rs) decidi então postar um texto – ótimo - que estou tentando para o teatro. A autora é a atriz comediante Ingrid Guimarães. Descobri não faz muito tempo que ela fez teatro no mesmo lugar onde eu faço atualmente. O Alex (o que faz a apresentadora) e eu modificamos algumas coisas depois de tantos ensaios e ficou ainda mais divertido, mas não mais do que fazer. Agora, é só esperar o diretor assistir e avaliar para ver se a cena entra ou não no espetáculo. Espero muito que sim, pois eu AMEI o texto e muito me identifiquei com a palhaçada…
Enfim, chega de enrolação et… Voilà!
Texto Peruas
(Ingrid Guimarães)
Apresentadora: Oi, gente! Hoje eu estou aqui com ela, essa figura maravilhosa, conhecidíssima de todos vocês, minha coleguíssima de trabalho fulana. Como é que você está se sentindo hoje aqui no banquinho dos entrevistados?
Entrevistada: Maravilhosa como sempre!
A: Bom, você sabe melhor do que ninguém que o nosso tempo é curtíssimo, por isso vou fazer apenas duas perguntinhas e depois eu vou direto para aquele bate-bola, OK? Como é a fulana em casa, assim na intimidade mesmo, conta isso pra gente.
E: Bem, primeiro eu queria agradecer por estar aqui com você, gracinha de ouvinte, né? E depois agradecer por estar nesse lugar super casual com essa pessoa maravilhosa, gatíssima,…
A: A gente, maravilhosa é ela, né?
E: É ela…
A: É ela…
E: Você…
(SE ABRAÇAM)
E: Bom, você havia me perguntado sobre o meu segredo de beleza. Gente vai malhar, cara amiga, vamos ficar com a bundinha durinha (aponta para a amiga). Olha quem tem a bundinha durinha!
A: Imagina…
E: Tem sim.Sobre a alimentação, cara amiga ouvinte amiga, alimentação é tudo. Se tiver na sua frente o diet e o não diet, opte sempre pelo diet.
A: Como vocês podem ver, a fulana é toda movimentada. Agora eu tenho uma pergunta pra te fazer a muito tempo. Qual o segredo do seu charme, esse algo a mais que você tem, conta pra gente, o que é isso?
E: Gente, é exagero. Esse é um assunto que me toca muito, cara amiga ouvinte amiga, estou emocionada. Eu sou assim, por você que taí me ouvindo, me achando bonita, me achando gostosa…
A: Você é bárbara! Vamos para aquele bate-bola rapidinho? Sabonete?
E: Neutro da AVON.
A: Xampu?
E: De ervas da AVON.
A: Perfume?
E: EUA de toilete da AVON.
A: Quem você levaria para uma ilha deserta?
E: Um kit completo das linhas AVON, que pode ser adquirido pelo telefone: 5575-7472, repetindo 5575-7472, repetindo mais uma vez para não enjoar…
A: Muito obrigado pela sua presença, A-D-O-R-E-I, bom a gente volta amanha no mesmo horário… Fique com a gente!
Tema secreto (II)
Mini Conto
Mamãe, tem um menino metendo o pau em mim.
Não deixa não filha, mete a boca!
Tema secreto
Arranhei-lhe as costas com minhas unhas negras sob anéis de prata em formato de cobra. O sol arrebenta a janela para foder os meus cabelos que desenhavam um leque vermelho vivo na cama. O calor sobe e já não sinto mais meu corpo. Os cachos abraçam-me como se fossem dedos compridos. Traiçoeiros. Me queimam a pele. Atam-me fogo. Viro cinzas. Renasço em fênix.
Mulheres do mar
Durante a noite, todas as mulheres caminham até a praia vestindo uma toalha de seda branca para fazerem do mar, seu cobertor. A mãe lua abre seu livro mágico das ondas e lhes conta uma bela história de fadas, na qual príncipes e princesas lutam para se amarem no final. Quando o sono chega, elas são levadas pelas marolas e, no fundo, desnudam uma a outra, derramando sangue vermelho do amor e do sacrifício.
Quando o sol joga seus primeiros raios, essas mulheres viram espumas e ficam espertas para apanharem seus primeiros meninos virgens do dia.
Amigo Secreto (II)
*Agora, o texto do meu amigo literário secreto Guilherme para mim!
Sobre alguém que escreve muito
Sentado aqui, à vespera da entrega desse texto, muito frio, início de madrugada, um licorzinho de amarula de marca suspeita como companhia, pensando no amigo secreto que me deverá servir de inspiração, me pergunto: Há relação entre o rítmo que alguém escreve e o próprio jeito de ser? Porque esse cara escreve num rítmo rápido e é meio alucinado. Admiro muito os textos dele, estão entre os melhores da turma e não só em minha opinião, mas não o tenho muito íntimo. Até vai ao bar, faz parte da mesa diretora, mas como não consegue acompanhar a presidência (e até ai tudo bem, só a Débora e o Ali conseguem mesmo), acabo não tendo muito assunto com ele. Então vou tentar fazer um continho rápido, na mesma pegada dele, embora, com as dicas já dadas, o universo possível de pessoas é minúsculo às quais esse texto pode se referir. De qualquer forma, espero não ser interrompido por ninguém até o fim da leitura, mesmo quem descubra com antecedência, sob pena de tortura nos grilhões infernais (não é uma dica da pessoa, apenas uma ameaça mesmo). Segue o breve conto, intitulado…
Descendo a Augusta
(Também não é sobre o Antônio Piano)
Stephany descia a Augusta após breve ausência quando colocou silicones nos peitos. Um investimento para aumentar os ganhos (além das tetas) e terminar de pagar o Audi A3 que seu pai acredita que ela comprou com um estágio ainda no segundo semestre da faculdade. Ah, essas filhas da PUC.
- Pamela, olha ali. Não é a Stephany vindo?
- Nossa, é a própria. Você viu, Tifanny, o tamanho dos peitões?
- Olááááááááááá suas putaaaaaaas, que saudadeeeeeeeeeee!
- Aiiiiii, Stephanyyyy, sua vadiaaaaaa, que fada te deu esses peitões?????
- Uma P-I-R-A-N-H-A me indicou uma clínica, ahahahahhaha!!!! E ai? Vcs não vão acreditar, paguei esses melões dando horroooores pr’aquele médico gostosooooo, pirocudooooo!!!
[...]
***
E por ai vai. Tudo bem, não ficou do jeito que o cara escreveria, mas algumas das palavras eu tirei dos contos dele. E velho, que divertido escrever assim. É por isso você tá sempre sorrindo e etc?
E deixo um agradecimento aqui para quem me deixou escrever esse texto. Ah, as mulheres não mudam. Não podem ver um marmanjão choramingando que não resistem e atendem nossas frescuras. Valeu.
Bom, classe do 1º semestre de 2008 do curso de Criação Literária, quem é essa pessoa sobre quem escrevi? Dãããããããã….. Longo rio que corta o Sudão, o Egito e deságua no mediterrâneo…
Guilherme Soares
(Não, eu não me tirei. Estou apenas assinando)
Amigo Secreto
Cá está, finalmente o texto que escrevi para o meu amigo literário secreto Guilherme, que tive o prazer imenso em escrever algo que descrevesse em entrelinhas essa pessoa que eu considero engraçadíssima e muito legal, apesar do pouco contato. O mais emocionante é que ele também me tirou, e o texto dele postarei aqui, assim que ele me enviar a cópia digitada.
Bom proveito!
Terapia de casal.
- Terapia de casal?!
- Pois é, mano. Idéia de quem? Mulher é louca…
- Mulher é gostosa.
- Só se for a sua, porque a minha ta precisando se aposentar.
- Pô veio, você não curte mais sua mina?
- Ah curto. Só não curto quando ela está de TPM, sensível, quando me liga em dia de jogo e quando decide fazer terapia de casal.
- Ou seja, você só gosta quando ela abre as pernas.
- Sim, nem a boca mais eu curto, porque além de só falar merda, ela não faz um boquete decente.
- Sério?!
- Sim, ela arranha com os dentes.
- Putz, isso é foda.
- Eu quem digo. Você acha que devo citar isso para a terapeuta?
- Depende, se ela começar a te provocar, você joga essa.
- Do jeito que ela é louca, capaz de começar a tirar o sutiã como protesto.
- Aí você usa sua inteligência e diz para a terapeuta que ela faz isso constantemente porque é feminista e gosta de lembrar a época em que as mulheres tiravam e queimavam sutiãs como protesto contra a repressão feminina.
- Boa cara, e ainda falo para ela analisar a situação dos seios dela e perceber qual é o meu problema.
- Ótima, do jeito que mulher adora humilhar mulher, capaz de ela ficar do seu lado.
- Quem, a terapeuta?
- Não! A sua mulher… Claro que a terapeuta, veio! Já pensou se for gostosa, tipo daquelas atrizes pornôs, com cintura fina, peitões e tudo?
- Como na hora! E ainda falo que ela não tem celulite só para deixar a minha mulher mais fodida ainda das idéias.
- Fodida ficaria a outra…
- Pode crer, literalmente.
- Fui, veio!
- Vai lá! Boa sorte!
- Falou!
“Paty” papel.
Poesia abordada do tema “papel”, sugerido pela amiga Priscila, na aula de poesia.
Ai, eu não acredito!
Olha só o que o Zequinha fez comigo
Disse Raquel, a menina “paty” papel,
Estou toda amassada e rabiscada
Como vou ao baile?
Fica quieta, sua idiota!
Disse Carola
E eu que estou toda cagada?
Juno

Juno: A deusa. Divindade itálica da luz. Era particularmente adorada pelas mulheres que invocavam cada uma delas a sua própria “luz”. Foi por causa desse significado mitológico que a personagem Juno MacGuff (Ellen Page) ganhou o nome de seu pai. Seria coincidência da escolha dele, ou foi mesmo o propósito da roteirista Diablo Cody em relacionar o nome à gravidez da adolescente? O dar a luz?
“Juno” tinha tudo para ser uma comédia romântica tradicional falando sobre a gravidez de uma garota de dezesseis anos, mas a iniciante Diablo Cody conseguiu surpreender com a originalidade da história. Esperando um filho de seu melhor amigo, Breeker (Michael Cera), que passa longe de ser o loiro gostoso dos filmes hollywoodianos, Juno pensa a princípio num aborto, pois não quer ser obrigada a enfrentar todos os problemas que essa situação causa na sua idade, mas depois de descobrir que o feto já possui unhas, ela desiste daquilo e, junto com sua melhor amiga Leah (Olivia Thirlby), ela vai à procura de um casal perfeito para adotar seu futuro bebê, se é que podemos chamá-lo de seu. E é assim que ela conhece Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal que não consegue ter filhos e sonha muito em ter um. A partir daí, a história começa e a cada minuto que passa você se envolve mais e mais com a história, tanto quanto Juno e os pais adotivos da criança.

A história fica mais interessante quando Juno descobre afinidades com Mark, o pai adotivo do bebê, como músicas e filmes, o que deixa Vanessa um pouco com o pé atrás. Mas não vale a pena falar muito para não estragar a surpresa de quem ainda não assistiu, entretanto, o que faz o filme um dos melhores de 2008 é o tamanho da riqueza que ele possui, pois além do tema gravidez na adolescência, ele aborda a questão de casais que ficam juntos por causa da tradição social, de pessoas que esquecem de seguir seus sonhos, entre outros. Juno, no final do filme, questiona seu pai sobre o amor. Essas dúvidas, medos e inseguranças que surgem quando você entra em contato com o mundo como ele realmente é, mostra que ela está saindo da fase adolescente e entrando na fase adulta, quando enfim descobre que nada é para sempre e que muitas vezes para se conseguir uma coisa na vida, é preciso abrir mão de outra.
Outro ponto que chama atenção é o jeito da adolescente e a maneira que trata o filho, que nunca chama de seu. Está aí o complemento da primeira parte deste texto, pois ela sempre lhe coloca algum apelido estranho ou então fala que ele é o filho de Vanessa e Mark, mas, se isso o faz pensar que ela é insensível, está enganado, pois a cara que ela faz no ultra-som quando vê as primeiras imagens da criança, o carinho que ela tem pelo pai e a madrasta, por Bleeker e até mesmo por Vanessa e Mark não engana. Apesar de tratar o bebê como uma coisa, ela ainda tem um carinho especial por ele, pois se não tivesse, ela não pesquisaria bons pais para adotá-lo, e o deixaria na porta da casa de alguém como fazem muitas mães que vemos por aí.
Esse é um filme sensível que serve para pessoas de qualquer idade. Ele é profundo, tocante e a beleza vai das imagens até a trilha sonora. Juno é uma adolescente não tão normal que passou por situações um tanto complicadas e que no final soube se sair muito bem; tenho certeza que ela escolheu o melhor para si naquele momento. O diretor Jason Reitman soube levar bem os detalhes das imagens e mexer com a emoção de cada um no cinema. Juno te faz lembrar da pureza e do humano que existe em cada um.
Premiações:
* Ellen Page, que concorreu ao Oscar de melhor atriz nesse ano de 2008 por ter interpretado a protagonista que leva o nome do filme, comprova o seu talento já mostrado em “meninamá.com”.
* A ex-stripper e agora roteirista, Diablo Cody, ganha o Oscar de melhor roteiro original e ainda o recebe vestindo uma roupa de oncinha.
* O filme é uma produção independente de baixo custo e mesmo assim concorreu ao Oscar em 2008 de melhor filme, mas perdeu para “Onde os fracos não tem vez”, dirigido pelos irmãos Coen.
